Ao sair de casa hoje, dou-me de cara com uma neblina intensa, dia cinza. De acordo com professora Maria Aparecida propício para escrever uma crônica. Ao som de Àguas de Março, é o que faço, ponho-me à escrever. É lindo ver aquela imensidão branca dos campos sob a geada, o sol nascendo atrás da neblina, e a elegância das roupas de inverno.
Mas como todos sabem, nem tudo são flores nesta época do ano. particularmente não sou fã do frio, os motivos são os mais óbvios possíveis. Pra começar é horrível ter que sair do aconchego da cama às 6 da matina e ir ao encontro daquele terrível vento que só de pensar me dá calafrios. Quase pior do que isso é a imobilidade que aquele monte roupas nos trazem na tentativa de se manter quentinha, haja café e chocolate quente pra aquecer o corpo. Mas o pensamento mais perturbador que vem a minha mente não é a minha birra contra o frio, mas sim o sofrimento de quem não tem sequer um cobertor pra se proteger.
Segundo o Censo do IBGE 2012 no Brasil há cerca de 1,8 milhões de moradores de rua, se pararmos pra pensar, boa parte destes vivem na região sul. Sim, milhares de pessoas não tem recursos para se proteger do inverno, e o que fazemos para ajudar? uma campanha do agasalho aqui, outra acolá.
Apenas isso não resolve o problema, são necessárias formas concretas para solucionar esta situação. Como resolver? Sinceramente não sei, mas se cada um ajudar é possível melhorar. Por que se dói pra quem pensa nisso, a dor é bem mais intensa pra quem sofre com ela.
Amanda Ottonelli